Compreendemos bem a alegria que vai no coração deste homem, que poucas vezes durante a sua vida saboreou semelhantes sucessos. Domenech sempre foi uma criança tímida, que volta e meia se via pendurada de pernas para o ar na árvore do recreio da escola. Com o tempo a sua vida melhorou um pouco, cresceu e tornou-se um razoável lateral direito, embora de índole caceteira. Mas a história da sua vida continua.
Certo dia, após abandonar o futebol profissional, num jogo realizado entre amigos numa quinta nos arredores de Paris, Domenech sofreu uma entrada bastante ríspida, que o fez rebolar em direcção a um monte de estrume, destinado a fertilizar quatro hectares de vinha. Pelo caminho, ainda atingiu três ancinhos, um tractor e um cão sarnento, o que deixou a sua cara com o actual aspecto de texugo obstipado e subsequentemente atropelado.
O resto do seu percurso já toda a gente conhece...(infelizmente)
Na passada quarta-feira, Domenech comemorou a vitória francesa organizando uma festa em sua casa, para a qual convidou apenas amigos do seu círculo mais próximo. Maya, Alexandrino, Mestre Alves e o bruxo Pepe estiveram entre os presentes. Consta que prepararam um ritual de adivinhação, para tentar determinar o vencedor do próximo Mundial e prever a prestação francesa durante o mesmo, mas com pouco sucesso.
Quando se dirigiram ao "outro lado", apenas obtiveram como resposta isto: "Com uma defesa que faz lembrar um ralador de queijo Roquefort, e a só poderem contar com o Diarra e Anelka no meio campo e no ataque, vocês só têm hipóteses se vos sair um árbitro cabrão e cegueta em cada jogo". Os intervenientes no ritual ficaram surpreendidos com a resposta, mas desdramatizaram esta revelação, explicando que a órbita de Marte está a cruzar-se com a de Neptuno, o que obviamente causa interferências na previsão. Mais tarde veio-se a saber que foi o vizinho do andar de baixo a responder, uma vez que já estava fartar de ouvir palermices e queria ir dormir.
Findo o ritual, Domenech dirigiu-se a Saint-Denis, com o objectivo de enterrar um sapo no relvado e agradecer a protecção a uma divindade pagã. À saída sacou do telemóvel para agradecer pessoalmente ao trio de arbitragem a sua colaboração para o apuramento, quando foi abordado por três indivíduos costa-marfinenses, que o agarraram com firmeza junto da cintura, susurrando "Entraîneur, tu nous laisses très chauds". Depois de fazerem o que tinham a fazer, terão comentado, de acordo com várias testemunhas que se esforçavam para conter o riso, que era esta celeridade que a noiva do seleccionador andava a querer que ele lhe mostrasse, em vez de andar sempre a rondá-la como uma raposa a fruta madura.
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